Reminiscências de um arquiteto revoltado











{Setembro 13, 2007}   Mais algumas achas na fogueira :D

Chegou aos meus ouvidos recentemente a notícia de que, contrariando todas as expectativas, meu singelo texto sobre os grupos de pesquisa (ver posts de Agosto) tem se disseminado nos bastidores da intelectualidade da Escola de Arquitetura da UFMG e suscitado opiniões pouco amigáveis acerca de minha pessoa. É a fama batendo à minha porta! No entanto, creio que se façam necessárias algumas explanações acerca dos escritos, visando desanuviar alguns tópicos importantes, de forma a garantir minha integridade e futura formatura! :) ~

Em primeiro lugar, é importante frisar que meu pobre texto é apenas expressão de UMA OPINIÃO que, enquanto tal, é INDIVIDUAL (embora eu saiba que compartilhada por muitos), e não tem a menor pretensão de instituir uma insurreição contra a dinâmica da produção de conhecimento nas universidades do mundo. Em outras palavras, é o que EU PENSO e você, que está lendo, não tem absolutamente NADA a ver com isso, “capice”? :D Em segundo lugar, a experiência com a recepção do meu texto pelos meus amigos parece ter demonstrado que suas exaustivas atividades de pesquisa privaram-lhes do seu senso de ironia. Assim sendo, procurarei explicar abaixo, de forma suscinta e sem eufemismos, qual seria REALMENTE o ponto principal atacado em minhas pobres linhas.

Como pouquíssimas pessoas puderam perceber, o texto não ataca de forma literal e indiscriminada A EXISTÊNCIA DOS GRUPOS DE PESQUISA. Pelo contrário, como os belos rapagões Luís e Gabriel deixaram claro nos seus comentários, a pesquisa adquire sim o seu lugar e sua importância no contexto da universidade, enquanto produtora de conhecimento e formadora de opiniões. O problema reside exatamente quando a dinâmica pára nessa etapa. De pouco vale uma monografia, uma dissertação de mestrado ou mesmo uma tese de doutorado que não encontra seu foco de aplicabilidade na vida prática. Escrever mil e quinhentas páginas sobre a obra de Oscar Niemeyer, repetindo textos e opiniões de centenas de outros autores sobre o assunto e descendo o pau no formalismo do velhinho é banal. Feijão-com-arroz. Desenvolver uma monografia criticando o “atual” Código de Obras da PBH e não se posicionar ativamente pela substituição da legislação vigente por outra “mais realista” é perda de tempo. É a partir de posturas desse tipo que a produção intelectual perde sua utilidade, passando à condição de mero adorno na estante e nos egos, insofismáveis, de seus elaboradores.

Ah! O ego! Este grande motivador que nos leva a pesquisar, produzir, publicar e ficar nervosinhos quando colocam em dúvida a validade do que fazemos! É realmente belíssimo poder dizer, com toda a pompa: “Eu sou o grande doutor em telhados borboleta e estruturas de taipa do cenário atual da arquitetura do Acre”; ou “Cuidado, garoto! você está conversando com a ‘nata intelectual’ da Faculdade Abelhinha Feliz!”, mas a vida real exige posturas e mentalidades um pouco mais evoluídas do que estas.

Portanto, senhoras e senhores, parem de “endeusar” seus grupinhos de leitura e posicionem-se criticamente a respeito do que vocês fazem. Será, realmente, que o trabalho de vocês está trazendo tantos benefícios à sociedade quanto poderia (ou deveria)? E, acima de tudo, não percam o senso de humor… Se vocês realmente desejam “pesquisar, produzir e publicar”, estejam preparados para receberem bem todo tipo de crítica. Mesmo as do palhaço ignorante que escreve imbecilidades num blog da internet. Tenho dito!

P.S.: A propósito, todos os grandes pesquisadores e teóricos da Arquitetura do passado eram, também, grandes construtores. Arquitetura é teoria, sim, mas acima de tudo é PRÁTICA. Em outras palavras, “ARQUITETOS PROJETAM, PORRA!”.

.. ao som de Otmar Liebert – Santa Fe ..



Diogo disse:

Ah! acho que primeiro deveria ser feita uma pesquisa sobre a eficácia de cada grupo de pesquisa, ensino ou extensão dentro da escola, a fim de colocar em estatísticas a quantidade de conhecimento que é disseminado para a comunidade (qualquer que seja ela). Deste modo, acho que deveríamos inserir um nanochip dentro de cada pessoa pra sabermos quando é que ela está discutindo com outra arquitetura ou qualquer outro assunto que acrescente algum conhecimento, crie alguma dúvida, curiosidade, simpatia ou antipatia, que sirva pra alguma coisa ou não, seja na sala de aula, no corredor, no buteco, ao telefone, ou num simpósio não sei das quantas. Monografias, dissertações, teses, por definição pressupõem colocação crítica do autor da peça sobre o(s) sujeito(s) da mesma. Sem a crítica, ou a análise da situação real, ou de um problema concreto (teórico ou prático) (sim! existem problemas teóricos assim como práticos!) realmente não faz sentido realizar um trabalho acadêmico. Quero evidências concretas de que os grupos de pesquisa na escola de arquitetura não colocam nenhuma reflexão crítica em seus trabalhos. Quero que me dê informações precisas que nenhum dos bolsistas ou voluntários dos grupos não discutem o que estão produzindo com outras pessoas (nem que seja uma única). Quero que me diga se o problema está realmente nos grupos de pesquisa, nas atividades de ensino e extensão existentes ou se está no currículo do curso, se está na ementa das disciplinas, se está no cumprimento destas ementas, se está nos professores? ah?! ah?! onde está o problema? se você detecta um problema deve buscar as causas desse problema para poder resolvê-lo. pau na pesquisa. isso. resolveu?! não. pq? não é a causa. ah!! naum é a causa?! o que é então?! pense!



EU mesmo disse:

Comentar entre os companheiros do próprio grupo de pesquisa não vale.



Lígia disse:

Sou a favor dos nanochips! Ta, mentira.
É uma pena a recorrência do entendimento de prática e de teoria como opostos que se excluem… E é daí que surge o problema, quando ambas passam a se movimentar em círculos, atrás dos seus respectivos rabos. Prática e teoria se relacionam, são aspectos da vida humana, das ações humanas – e, por exemplo, da arquitetura.
No mais, viva o dissenso. É ele que torna a vida menos entediante.



Cleverson disse:

Mas é exatamente o q eu quis dizer o tempo todo, Lígia. Eu não condeno os grupos de pesquisa por si só. O problema é quando a pesquisa passa a ser o objetivo único e final.

E não tente me convencer de que na faculdade os grupos de pesquisa não têm uma séria inclinação para esse lado do assunto. Olha q eu já fui um de vocês, hein.



Lígia disse:

Cleverson, faço minhas as palavras do Luís no post sobre os grupos de pesquisa. Inclusive como resposta a esse seu comentário.



macaco tiao disse:

Alguem aí gosta de picolé de uva?



Diogo disse:

uai..eu gosto! vc não?!



archegui disse:

Elizete, olha como é que eu to forte!



Igor disse:

Hahahhahah… Nào deixa de ser engraçado mesmo o que você tem escrito aqui.
Onde você tem se colocado pra criticar o ego dos outros? Não que eu discorde que grande parte da produção intelectual não vai muito além de massagens ao ego. Assim como os projetos da EA. Você já parou e pensou que nenhum deles é construído? E que todo o tempo que você perde é pra construir algo irreal e fictício que no fim servirá apenas para massagear SEU ego, já que eles não serão mais que pilhas de papel e Mbs?
Nem vem com essa. Olhe pra si mesmo antes. Nada do que você fez até hoje na escola difere do que é produzido nas pesquisas. Aliás, projetos pra mim são pesquisas pessoais acerca de um dos lados da arquitetura.
E se achar tudo isso muito abstrato, talvez fosse melhor ir pra engenharia. Lá eles realmente tão muito pouco preocupados com essas “frescuras”de arquiteto.
Definitivamente, você não é o mais indicado pra discorrer sobre egos!



Cleverson disse:

Tudo bem. Nenhum projeto da E.A. é construído. A pequena diferença é que o Estado não está desembolsando grana dos cofres públicos para financiar a massagem do meu ego. Pelo menos não mais do que estaria gastando com qualquer outro universitário normal por aí.

E outra coisa. O desenvolvimento de projetos no decorrer do curso de Arquitetura é uma atividade PRÁTICA que visa preparar a nossa força de trabalho para lidar com situações e questões do MUNDO REAL.

Pesquisar a história do telhado de duas águas na Irlanda do Norte, ou divagar sobre as inter-relações socio-urbanísticas dos habitantes da Vila Bicho de Pé na Caquitolândia do Cu do Judas e seu impacto sobre os moradores da Vila Acaba Mundo é apenas Escolinha do Professor Raimundo.



Igor disse:

E o bom humor, que vc tinha tanto? Acabou?
Não precisa ficar assim tão bravo, eu semi-concordo com você.
Mas que seu ego tá meio inchado, isso tá!



Cleverson disse:

O bom humor continua aí :D

Só não entendi por que você cismou com essa agora de “ego inchado”.



Igor disse:

Não é de agora e não sou o único que acha. Alías, tudo isso só se intensificou na arquitetura. Projeto tem esse “poder” de emergir o âmago do ser…
HEhhehheh



Cleverson disse:

Devo estar ficando burro, mas ainda não entendi aonde vc quer chegar…

dá pra desenhar? :D



GABRIEL disse:

hehehe…

coleh ow, desenhar o óbvio? todo mundo sabe, e inclusive vc, o quanto é arrogante! Um dos egos mais inflados que já conheci… o próposito aqui não é ficar te zuando, mas convenhamos né Cleverson, não venha se fazer de bobo, ou de humilde, coisa que você não é.

=*



Cleverson disse:

Cruzes!



Deixe uma resposta

etc.