Reminiscências de um arquiteto revoltado











Gente. Conforto.  Só quem faz ou já fez pode entender a magnitude do que eu estou falando.

Pra começo de conversa, é uma disciplina oriunda do TAU (Departamento de Tecnologia em Arquitetura e Urbanismo), o que, por si só, já é um péssimo indicador. Na descrição desse circo de horrores, creio eu que nem é preciso entrar no mérito dos atrasos semanais e das extensões da aula além dos horários determinados.

Gostaria de entender, de verdade, pra que diabos serve uma disciplina que, ao que tudo indica, nem os próprios professores-doutores-senhores-maiorais-não-sei-das-quantas compreendem bem. Vejam só, eu não estou dizendo que o estudo dos assuntos relativos aos confortos seja inútil. De maneira nenhuma. Mas uma coisa é você ter em mente conceitos bem definidos com relação a posturas e soluções de projeto a serem adotadas, no sentido de enriquecer seu produto e colaborar para a manutenção do nosso ecossistema. Outra coisa, completamente diferente, é você passar duas horas e meia dentro de uma sala mal iluminada, ouvindo uma senhora (deveras distinta) que parece ter o rei na barriga traçar quadros e perspectivas apocalípticas sobre o futuro do planeta Terra e a existência da raça humana, ao mesmo tempo em que desce o ferro no Brasil e sua legislação e idolatra os Estados Unidos e Cia. Ltda. como exemplos de racionalidade, consciência ecológica e produtividade no ramo da construção civil.

Devo confessar que depois do discurso que ouvi hoje durante a aula, acerca do déficit energético, o novo apagão, os números astronômicos do consumo de eletricidade ao redor do mundo e o papel fundamental das cadeiras de conforto térmico e iluminação na solução desses problemas; cheguei até a crer que valeria a pena me dedicar ao aprendizado do tema. Porém, contudo, todavia, entretanto, essa inclinação rapidamente se dissipou quando, ao término de um chatíssimo e trabalhoso exercício de conversão de dados climáticos, ficou evidente, para mim e para o resto da turma, que tudo aquilo que fora feito tão somente SE APROXIMA das condições reais, e por erros MÍNIMOS (?) da ordem dos 20%.

Com o perdão do termo, PUTA QUE PARIU! Não é possível que pessoas normais e em sã consciência dediquem anos e anos de suas vidas ao estudo de uma coisa desse tipo. Não faz sentido. Não está direito. E pior ainda é o fato de eu estar obrigado a dispender do meu tempo assistindo ao estudo do estudo que essas pessoas fazem. Não. Definitivamente, passou da hora de uma reforma curricular naquela escola, mesmo. E que no próximo currículo sejamos brindados com uma abordagem mais “esperta” da questão bioclimática.



{Agosto 26, 2007}   “… e o bambu?”

Para que não digam que eu só venho nesse blog pra falar mal do meu curso e/ou das atividades relacionadas a ele, resolvi compartilhar com algum eventual “leitor de pára-quedas” (que provavelmente chegou até aqui por engano, já que a propaganda dessa bodega é zero) algumas informações interessantes que pude obter ultimamente, e que outrora só me eram conhecidas pelo “ouvir falar”.

Mais ou menos desde o 3° período do meu curso que ouço alguns professores exaltando as propriedades mecânicas do bambu e frisando sua aplicabilidade na construção civil. Devo confessar que até os últimos dias nunca tinha me interessado realmente pelo assunto (bambu, pra mim, nem pra soltar pipa, atividade que sempre achei extremamente imbecil e sem sentido). Contudo, no desenvolvimento do meu tema atual de P3, acabei confrontando-me com a necessidade de um material leve, acessível e de fácil manuseio; preferencialmente que explorasse de forma sustentável o meio ambiente, minimizando os impactos da minha proposição à nosso, já castigado, planetinha. E não é que me surpreendi ao procurar informações um pouco mais aprofundadas sobre a nobre matéria prima das varetas de pandorga? Realmente, devo confessar que não imaginava que a supergramínea em questão reunisse tantos prós, especialmente para aplicação no desenvolvimento de tipologias para habitação popular, como é o meu caso.

Se você for como eu e só conhecer sobre o bambu na construção civil do “ouvir falar”, posto abaixo alguns links que considero deveras interessantes para dar início a uma pesquisa um pouco mais aprofundada sobre o assunto. Quem sabe você até funda um grupo de pesquisa, com seu professor-pseudo-bla bla bla bla…!? :D

www.unb.br/fau/pos_graduacao/dissertacoes/anelizabete_teixeira.pdf (Tese de mestrado de uma aluna do curso de Arquitetura da UNB, bastante completa e de fácil “digestão”. Muito bem abordados todos os temas pertinentes ao tratamento que deve ser dado ao bambu para sua aplicação na construção, e as vantagens do seu uso na habitação popular);

www.bambubrasileiro.com/ (Site de uma associação de produtores, com informações interessantes e uma abordagem legal do emprego do bambu na construção civil);

www.bambuzeria.com.br/ (Um dos melhores sites que eu encontrei, abordando temas diversos sobre o assunto).

A propósito, se alguém mais souber de outra fonte de dados interessante sobre o tema, agradeço qualquer indicação! :D

* ao som de jimi hendrix – mannish boy



Agora vocês vejam só… postei logo abaixo um texto divertidíssimo sobre a dinâmica dos grupos de pesquisa e levei tanta pedrada que fiquei até preocupado. Estão vendo só? É isso o que me deixa mais puto com essas pessoas. O fato de enxergarem suas comunidadezinhas como um Rito Sagrado que deve ser idolatrado e mantido puro sobre todas as coisas.

E que mais ninguém venha me chamar de hipócrita e dizer que estou escrevendo sobre coisas que eu não sei. Eu mesmo já participei desse povinho há algum tempo atrás e, se escrevi o que escrevi, foi com pelo menos 64,23% de propriedade. Só acho que os excelentíssimos colegas que gostam, acham importante e vêem algum fundamento na participação nesse tipo de organização deveriam se levar menos a sério. Afinal… o que seria das peruas se todos preferissem o minimalismo?

O problema com essas pessoas inteligentes demais é que elas perdem o senso de humor.



Que eu ando meio de saco cheio de faculdade não é novidade pra ninguém que me conhece. Aliás, acredito que um número razoável de pessoas atualmente compartilhe da minha insatisfação com os rumos tomados pelo curso de Arquitetura. Especialmente na disciplina de P3. Afinal de contas… a gente sai de projetos deverasmente instigantes, castigantes e fustigantes pra cair em moradia popular? Nada contra as iniciativas, mas acredito que esse tipo de coisa já deu o que tinha que dar. A partir daí eu pego o gancho pra minha reclamação do dia: vocês já viram aquelas pessoas que, na falta de algo produtivo a fazer, começam a procurar mecanismos pra preencher o tempo vago? Pois é. Na universidade elas têm um nome: grupos de pesquisa.

Funciona mais ou menos assim. Selecione um tema que você conheça muito (ou que não conheça nada, no final não faz diferença mesmo). Procure uma bibliografia capaz de preencher no mínimo doze páginas de monografia (ainda que você não leia mais do que um livro e dois textos dela). Arranje algum orientador pseudo-profissional-frustrado-que-não-deu-certo-fora-da-faculdade-e-ganha-a-vida-tirando-onda-de-intelectual (ainda que ele não saiba mais do que palavras difíceis e nomes de arquitetos da Groenlândia Islandesa que já morreram há 30 anos).

Munido dessas três ferramentas básicas, debulhe o tema escolhido em seus mínimos detalhes, levantando todas as idiossincrasias pertinentes, fazendo pontuações objetivas e levantando hipóteses a cada dois parágrafos de texto corrido. Nesse ponto é importante destacar uma postura importantíssima: crie polêmica. É imprescindível que você discorde de tudo o que já existe com relação ao tema que você está tratando (especialmente se tiver sido elaborado por órgãos públicos ligados ao governo) e tente convencer o seu leitor de que o mundo não existe, ainda que você não saiba propor uma solução alternativa para o assunto. Termine com uma conclusão vaga, que não se relaciona com nada do que você escreveu anteriormente e que, geralmente, faz uso de termos como “conscientização”, “mobilização social e profissional”, “despertar para uma nova realidade” e “tecnologias alternativas”. Arremate com uma formatação extremamente imbecil que desperdiça praticamente 50% da folha de papel com espaços em branco aparentemente sem função real e encaderne em capa dura, com o seu nome e o título do texto escritos em dourado na lombada.

Se você conseguir fazer tudo isso no prazo máximo de vinte e sete anos e oito meses, meus parabéns!!! Você já pode integrar um dos inúmeros grupos de pesquisa da sua faculdade (aqueles designados, geralmente, por siglas ridículas e sem significação real do tipo VAPT, SCRAP, FUCK, FUM, PET, PLOFT, MOM, PQP, MÃE, etc…)!!!

P.S.: Depois de escrever, formatar, imprimir e encadernar sua tese, dê uma simples folheada de quinze minutinhos para olhar as figuras (se houver) e depois coloque na estante, onde ela provavelmente ficará pelo resto da existência!

* ao som de Kazuhito Yamashita – Sonata n° 1 de Bach – Presto



{Agosto 21, 2007}   Aaah… o que é a tecnologia!

Às vezes a vida nos brinda com pequenos prazeres que salvam nosso dia da foda total. Incumbido que fui esta tarde de elaborar os cálculos de tráfego dos elevadores para o projeto no qual estou trabalhando atualmente, procurei, resoluto, a norma de referência adotada nestas situações.

Após algum tempo de consulta nos bolorentos arquivos da Assessoria de Projetos, pude localizar a “NBR-5665 – Cálculo de Tráfego nos Elevadores, a partir da qual poderia dar andamento à minha tarefa. Páginas e mais páginas (68 ao todo) de puro blá-blá-blá, tabelas, coeficientes, desenhos fofuchos e mil restrições. Tudo isso pra saber QUE DIABO DE TAMANHO MEU ELEVADOR PRECISA TER PRA LEVAR OS ALUNOS GORDOS E PREGUIÇOSOS ATÉ O ÚLTIMO ANDAR.

Como bom preguiçoso que sou, logo imaginei: “Puta que pariu, to fudido! Será que algum filho de Deus já inventou uma forma mais prática de calcular isso e livrar minha cara?”. Uma rápida consulta ao Deus Google e lá estava eu, no excelentíssimo site da Otis (não, não ganhei pela propaganda), utilizando uma ferramenta online orgulhosamente denominada: “Planeje sua obra – ferramentas para cálculos e dimensionamento dos seus elevadores Otis”. Rá! É por isso que eu amo essa merda de internet… após resolver o meu problema em cinco minutos, resolvi aproveitar o resto do tempo que demoraria calculando o resto da bagaça pra vir até aqui postar-lhes esse testemunho de fé, que nos leva todos a acreditar que a arquitetura ainda tem salvação!

Só falta agora inventarem uma ferramenta online do tipo: “Planeje sua cidade – ferramentas para elaboração de Planos Preliminares para o Bairro Palmeiras” :D Aí eu gozo e faço pouco!!!



E cá estamos nós, em mais uma tentativa de escrever um blog que, provavelmente, revelar-se-á frustrada ao cabo de curto espaço de tempo. Antes de mais nada gostaria de agradecer ao meu amigo Azulão (archegui.wordpress.com) e à minha gostosinha, bonitinha, fofolete AND nanica namorada Paulinha (ela tem blog, mas eu não sei qual é) por influenciarem a minha decisão de começar esta bodega.

Como vocês devem ter percebido, o template do meu blog possui uma mocinha descolada junto ao título. Explico. Difícil tarefa é escolher um template nesses serviços gratuitos de blogagem (um mais ridículo que o outro); tal fato, somado à minha falta de paciência para esperar o carregamento de todos os thumbnails de opções e à evidência clara de esta menina aí do lado não passar de uma puta, levaram-me a escolher esta cara para minhas postagens. Você que pense o que quiser. A princípio você nem deveria estar lendo isso. Te chamei aqui, por acaso? Então, por favor, queira foder-se.

Talvez agora você esteja se perguntando: “mas por que diabos arquiteto revoltado?”. Explico. O que mais poderia ser um pobre rapaz que se vê obrigado a suportar professores picaretas, amigos descolados (bem como a mocinha aí do lado), aulas fúteis, salas fedorentas, cadernetas de campo de projeto e outras coisinhas para, no fim de tudo, ganhar um salário de merda, trabalhar feito um burro e ser tachado de boiola pela sociedade? Não que não haja aqueles que ganham muito, trabalham pouco e realmente são chegados a uma massagem no esfíncter. Mas o fato é que eu uso Sketchup. E o Sketchup foi adquirido pelo Deus Google e não importa mais arquivos do AutoCAD como deveria. O que isso tem a ver com o que eu estava escrevendo antes? Nada, é claro. Mas eu não disse que o que eu escreveria aqui faria sentido. São apenas desabafos e servem também para evitar que eu acesse sites de conteúdo pornoeroticosadomasopseudozoófilo nessa grande mãe de todos nós que é a Internet.

Quer saber? Cansei.

Barril é ídolo!

AWAY!!!

* ao som de madredeus – as ilhas dos açores



etc.