Chegou aos meus ouvidos recentemente a notícia de que, contrariando todas as expectativas, meu singelo texto sobre os grupos de pesquisa (ver posts de Agosto) tem se disseminado nos bastidores da intelectualidade da Escola de Arquitetura da UFMG e suscitado opiniões pouco amigáveis acerca de minha pessoa. É a fama batendo à minha porta! No entanto, creio que se façam necessárias algumas explanações acerca dos escritos, visando desanuviar alguns tópicos importantes, de forma a garantir minha integridade e futura formatura!
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Em primeiro lugar, é importante frisar que meu pobre texto é apenas expressão de UMA OPINIÃO que, enquanto tal, é INDIVIDUAL (embora eu saiba que compartilhada por muitos), e não tem a menor pretensão de instituir uma insurreição contra a dinâmica da produção de conhecimento nas universidades do mundo. Em outras palavras, é o que EU PENSO e você, que está lendo, não tem absolutamente NADA a ver com isso, “capice”?
Em segundo lugar, a experiência com a recepção do meu texto pelos meus amigos parece ter demonstrado que suas exaustivas atividades de pesquisa privaram-lhes do seu senso de ironia. Assim sendo, procurarei explicar abaixo, de forma suscinta e sem eufemismos, qual seria REALMENTE o ponto principal atacado em minhas pobres linhas.
Como pouquíssimas pessoas puderam perceber, o texto não ataca de forma literal e indiscriminada A EXISTÊNCIA DOS GRUPOS DE PESQUISA. Pelo contrário, como os belos rapagões Luís e Gabriel deixaram claro nos seus comentários, a pesquisa adquire sim o seu lugar e sua importância no contexto da universidade, enquanto produtora de conhecimento e formadora de opiniões. O problema reside exatamente quando a dinâmica pára nessa etapa. De pouco vale uma monografia, uma dissertação de mestrado ou mesmo uma tese de doutorado que não encontra seu foco de aplicabilidade na vida prática. Escrever mil e quinhentas páginas sobre a obra de Oscar Niemeyer, repetindo textos e opiniões de centenas de outros autores sobre o assunto e descendo o pau no formalismo do velhinho é banal. Feijão-com-arroz. Desenvolver uma monografia criticando o “atual” Código de Obras da PBH e não se posicionar ativamente pela substituição da legislação vigente por outra “mais realista” é perda de tempo. É a partir de posturas desse tipo que a produção intelectual perde sua utilidade, passando à condição de mero adorno na estante e nos egos, insofismáveis, de seus elaboradores.
Ah! O ego! Este grande motivador que nos leva a pesquisar, produzir, publicar e ficar nervosinhos quando colocam em dúvida a validade do que fazemos! É realmente belíssimo poder dizer, com toda a pompa: “Eu sou o grande doutor em telhados borboleta e estruturas de taipa do cenário atual da arquitetura do Acre”; ou “Cuidado, garoto! você está conversando com a ‘nata intelectual’ da Faculdade Abelhinha Feliz!”, mas a vida real exige posturas e mentalidades um pouco mais evoluídas do que estas.
Portanto, senhoras e senhores, parem de “endeusar” seus grupinhos de leitura e posicionem-se criticamente a respeito do que vocês fazem. Será, realmente, que o trabalho de vocês está trazendo tantos benefícios à sociedade quanto poderia (ou deveria)? E, acima de tudo, não percam o senso de humor… Se vocês realmente desejam “pesquisar, produzir e publicar”, estejam preparados para receberem bem todo tipo de crítica. Mesmo as do palhaço ignorante que escreve imbecilidades num blog da internet. Tenho dito!
P.S.: A propósito, todos os grandes pesquisadores e teóricos da Arquitetura do passado eram, também, grandes construtores. Arquitetura é teoria, sim, mas acima de tudo é PRÁTICA. Em outras palavras, “ARQUITETOS PROJETAM, PORRA!”.
.. ao som de Otmar Liebert – Santa Fe ..